Antes
Testando novos gêneros, um filme surpreendente e um livro favoritado
De rabo de cavalo e sandálias nos pés, eu brincava no balanço do parque aos quatro anos de idade.
Antes da psicoterapia.
Antes do vestido de noiva.
Antes das crises de ansiedade durante o mestrado.
Antes de dobrar o elástico da calça do uniforme azul royal.
Antes do lápis de olho emprestado no banheiro apertado do Beco 203.
Antes de chorar no travesseiro pelo cachorro que não voltou da cirurgia.
Antes das folhas acumuladas de semiologia e do lixo transbordando filtro de café.
Antes da catequese, das provas de caneta azul, do ácido retinóico, eu gritava para me empurrarem:
“Mais alto, mais alto, mais alto!”
Grãos de terra entrando na sandália e assentando entre os dedos do pé. Patos na lagoa bicando pedaços de pão amanhecido. Nenhum morro de pedra alto demais para ser escalado. Nada a provar antes de pousar no chão firme sob meus pés.
Estou fazendo um curso de prompts. Funciona mais ou menos assim: a professora dá uma ideia (que pode ser uma imagem, palavra, frase, música, qualquer coisa) e os alunos recebem um tempo curto para escrever a partir desse tópico. Um dos prompts foi o poema “Before”, da Ada Limón, e aí está o resultado do que criei.
Poemas e prosas poéticas são estilos absolutamente e irrevogavelmente fora da minha zona de conforto. Parece que saí para caminhar com um tênis cinco números maior que o meu. É esquisito e eu tropeço pra caramba. Mas também é engraçado e, muitas vezes, bastante divertido.
Estou calçando esses sapatos estranhos com mais frequência por um motivo muito simples: explorar territórios desconhecidos tem me ajudado a escrever o romance (falei sobre isso aqui).
Cheguei a pensar em escrever uma crônica nova para hoje, só para não sair tanto da tradição. Mas aí pensei, por que não?
Talvez sirva como um sinal para você abraçar a vulnerabilidade junto comigo e se aventurar em alguma coisa diferente. E também porque é o mais próximo que eu vou ficar da Taylor Swift quando ela decidiu experimentar um novo gênero e se arriscar no folk (ficou ótimo, pode conferir). Espero que tenha gostado! :)
Marinada
🍿 Filmes
PK. Perdi a conta de quantas vezes ouvi meu pai dizer “filha, você precisa assistir PK”. Pois bem. Finalmente venci a preguiça e resolvi encarar os 153 minutos desse filme indiano que é TUDO: romance, comédia, drama, ação, musical e ficção científica. A sinopse? Um alienígena preso na Terra que começa uma jornada para entender a natureza de Deus. Juro. JURO POR DEUS. Eu só pensava comigo: “Qual a chance dessa baita salada Bollywoodiana dar certo”? Não sei como, mas dá. Dá muito certo. É uma das melhores críticas sobre fé e religião que eu já assisti.
📚 Livros
Uma vida e tanto — Emily Henry. “Você sabe que um livro é bom quando ele resiste a paráfrase”. Ouvi isso recentemente e achei perfeito. Posso te falar que “Uma vida e tanto” conta a história de dois jornalistas que disputam a chance de escrever a biografia de uma antiga celebridade e herdeira do século XX. Posso até te avisar que é um romance romântico com cara de Sessão da Tarde, mas que fala de luto e relações familiares com profundidade. Nada disso substitui a experiência da leitura.
Você já sabe que eu sou suspeita para falar da Emily Henry. Então pode suspeitar ainda mais: esse livro se classificou não só como um dos meus preferidos da autora, mas também desse ano.
🌻 Aleatoriedades
Estou com ingressos comprados para assistir um dos melhores desenhos de todos os tempos no cinema! Toy Story está em cartaz até o dia 17/09.
A foto de hoje é essa oncinha parda que amamentei em 2013 durante um plantão na internação de animais selvagens da Unesp de Botucatu (ninguém diz que três segundos depois da foto a bonita puxou o bico da mamadeira e me molhou inteira). Fica minha homenagem ao dia dessa profissão desafiadora, intensa e belíssima, comemorada em 09/09, para todos os meus colegas e para a parte de mim que sempre será médica veterinária.
Meus projetos literários
Clay
A Com.tato comunicação fez um post super legal compartilhando um pouco da minha história e do Clay. Clica aqui para conferir a entrevista completa.
Já ajudou uma autora estreante hoje? Então esse é o momento para deixar sua avaliação na Amazon! Isso faz com que o algoritmo da loja note a minha relevância como autora e mostre o Clay para mais leitores por aí. :)
Reality Show
Termino a edição de hoje compartilhando o outro lado da coisa. Quero te contar o que eu estou ganhando com a experiência do Reality Show.
Além do lado financeiro, óbvio, que me faz querer correr em prados verdejantes, sorrindo e gritando “sou uma escritora paga, sou uma escritora paga!”
Tem mais uma coisa.
A gente tem o hábito meio bobo de se comprometer mais facilmente com os outros do que com nós mesmos, não é? Só que é justamente isso que tem tornado minha experiência com a versão premium da newsletter tão incrível.
Ao prometer mostrar os bastidores da escrita do meu romance, passei a me dedicar mais. A levar os estudos mais a sério. E compilar esses estudos sobre escrita criativa em uma newsletter quinzenal tem me ajudado a organizar os pensamentos e fixar o aprendizado, enquanto conversar com os leitores me traz clareza e confiança sobre os próximos passos dessa caminhada.
É algo inesperado e que me deixa absolutamente grata. Não sabia que essa troca iria me amadurecer tanto como escritora.
Na última edição falei sobre estruturas narrativas e a vontade de salvar os personagens de todas as suas dores (e por que isso pode ser um tiro no meu próprio pé).
Fica o convite para você entrar no meu Reality Show! Tem 7 dias gratuitos para conhecer o que tem atrás desse paywall e 0 ressentimentos se o conteúdo não interessar :)
Mais do Substack:
Se você sente vontade de criar e está travado, dá só uma olhadinha nesse curso nota dez que a Gabi Fagundes está lançando.
Vi uma pessoa dizendo que falamos muito sobre acolher a criança interior, e pouco sobre a adolescente. Esse texto lindo da Mariana Moreira tem exatamente esse espírito.
Sinto que dei uma voltinha por NY lendo a última edição da Cynthia Teixeira. Ainda tem sete indicações de filmes que passam nessa cidade que eu amo.
A Andrea Nunes fez aniversário, mas quem ganhou o presente fomos nós, seus leitores, com essa edição que me arrancou boas risadas.
Quero ver você adivinhar: ficção ou vida real? Parece que tem mais alguém se aventurando por gêneros novos, né Gabi Miranda?
Até a próxima!
Marinando é o meu olhar traduzido em crônicas leves e descontraídas sobre a beleza do cotidiano.
Quinzenalmente, aos domingos, 9h.
Chegou pela primeira vez? Se inscreva para receber a próxima edição. :)








saia mais da sua zona de conforto <3
Se você não falasse que estava fora da sua zona de conforto, eu nem imaginaria! Adorei o poema e bateu forte aqui, me fez refletir sobre os meus Antes todos.