A edição de hoje chega em formato e horário diferentes dos habituais por motivos de: Flip! Quis dividir com você um pedaço dessa festa literária que eu tanto amo. Vem comigo para Paraty?
“Má, não cabe. Cortamos ou escolhemos outro texto mais curtinho?”.
Ai. Que. Saco! Por que fui pedir para a Gabrielle Albuquerque fazer a parte de diagramação desse jornal, mesmo?
Não quero cortar. Não tenho nada mais curto. E agora?
“Seu texto é o da página inicial. Você poderia falar sobre o Substack e como é escrever uma newsletter. Em forma de crônica, claro, como você faz”, sugere.
É, lascou. Vou precisar fazer algo inédito. Ligo o computador e abro nosso projeto no editor. Encaro meu espaço em branco logo abaixo da imagem de Paraty. Pensando bem, isso só está acontecendo por culpa da Andrea Nunes. Já faz dois anos que ela me incentivou a criar uma conta no Substack, bem quando passava pela transição de carreira.
As primeiras edições publicadas foram discretas, um pouco tímidas. Era a primeira vez que eu jogava meus textos no mundo, afinal. Imagina minha surpresa quando começaram a aparecer inscritos? Dez, cinquenta, cem, quinhentos! Gente! É gente pra caramba interessada em ler o que eu escrevo!
Quando me dei conta, o hábito da escrita estava incorporado de vez na minha rotina. A newsletter me ajudou não só a descobrir a minha voz, mas também a ter coragem de revelá-la por meio das minhas crônicas sobre a beleza do cotidiano. Pela primeira vez na vida, me identifiquei como escritora e passei a “propagar a palavra do Substack” aos quatro cantos do mundo.
Rolo a página da edição e olho para a foto das meninas. Além da Gabi e da Andrea, também tem a Cynthia Teixeira, Gabi Miranda, Gabi Fagundes e mais um montão de gente legal que só conheci por causa da escrita. Pessoas que colocam um pouquinho de si em cada palavra digitada, na esperança de criar conexões mais profundas que as oferecidas em um vídeo de quarenta e cinco segundos.
Que bom que essas meninas toparam trazer uma parte do nosso mundo digital à Flip.
“Lembrando que até meia-noite é hoje ainda”, a Gabi Albuquerque diz no grupo. Estamos em cima da hora para fechar a primeira edição física.
“Tranquilo”, respondo. “Já sei o que vou escrever. A propósito, a diagramação está linda!”
Marinada (na Flip)
E aí está o resultado do nosso jornal! Seis escritoras que se juntaram em um movimento contrário, distribuindo exemplares físicos de um universo digital, garantindo que as newsletters também tenham seu lugar ao sol de Paraty. Escrevi a crônica que compartilho nessa edição para abrir o jornal, na difícil tentativa de resumir em poucos caracteres o que é o Substack e o que ele representa para mim.
Mas o que é, afinal, o Substack?
Você, que recebe a Marinando exclusivamente na caixa de entrada do e-mail e não faz a menor ideia do que essa palavra sub-sei-lá-o-que significa. Vem cá que eu vou te contar: o Substack é, nada mais, nada menos, que uma rede social, tal qual Facebook, Instagram, X e TikTok.
Só que aqui não tem anúncios, dancinhas e vídeos curtos infinitos. Tem silêncio, fotos confortáveis e gente a fim de colocar sentimentos de tudo quanto é tipo em palavras. É uma rede social de textos longos, no formato de newsletter, que lembra muito a vibe dos blogs de vinte, trinta anos atrás (socorro, tô velha).
E a Flip?
A Festa Literária Internacional de Paraty é uma festa mesmo: cultural e colorida como a cidade sede. É um evento enorme, mas que deixa uma sensação de intimidade no ar, como se todos fossem colegas de um grande clube do livro brasileiro. É a chance perfeita para trocar ideias com autores que você admira, pegar autógrafos e mostrar o seu trabalho — nosso jornalzinho foi entregue nas mãos da Andrea Del Fuego, Noemi Jaffe e Lorena Portela!
Nos últimos dias conheci a Mariana Salomão Carrara, ouvi o Valter Hugo Mãe falar da sua adaptação na Netflix, aprendi mais sobre a escrita com o Marcelino Freire, me emocionei com a Rosa Montero falando da morte (e no segundo em que publicar essa edição, vou sair correndo para ver a Conceição Evaristo antes de ir embora). Tudo isso foi incrível, inesquecível até, mas não foi o ponto alto da festa.
Tem algo na Flip que é meio difícil de explicar. Aconteceu quando estávamos distribuindo o jornal pelas ruas e acabamos conhecendo outras mulheres e suas histórias. E também quando fui pegar o autógrafo da Lorena Portela e bati um papo maravilhoso com a Nara Vidal, que também estava na casa.
A Gabrielle Albuquerque disse na sua última edição: “você chega com uma programação inteira montada e, no fim, o melhor do evento foi aquela mesa que você entrou de última hora, o poema que ouviu na calçada, a pessoa que conheceu na pousada.” É isso. As surpresas que só a literatura tem.
Minha primeira mesa
Participei da conversa “Desvendando a autopublicação: como escrevi e publiquei meu livro” na Casa PublishNews e foi legal demais! Contei um pouco do processo criativo na escrita do Clay e tudo o que aprendi com a publicação do meu primeiro livro.
Mas provando o ponto do parágrafo anterior, a melhor parte da mesa foi conhecer a Lulu, que ficou apaixonada pelo Clay. O abraço gostoso que ela deu no boneco e seu sorriso ao ver a dedicatória ficarão comigo para sempre.
🌻 Aleatoriedades (de Paraty)
Curadoria de lugares que eu adoro nessa cidade:
Gelateria Miracolo, que só pelo cheiro da casquinha já vale a pena.
Empório Daqui, que tem muuuuitas coisinhas gostosas e um ambiente perfeito para aproveitar o café da tarde.
Livraria das Marés, que além de bonitinha também tem um café legal no fundo.
Café Montañita, que tem os grãos mais diferentosos que você vai ver na vida.
Bombom da Maga, que faz balas de leite deliciosas.
Drink Jorge Amado, que é o clássico de Paraty feito com a cachaça local Gabriela (feita com cravo e canela, lógico).
Reality Show
Tá rolando! A primeira edição da nova seção da Marinando está sem paywall e liberada para todo mundo. Clica aqui para conferir.
Por lá eu vou compartilhar meus estudos, cursos, processos criativos, aprendizados, medos, erros, acertos e todos os detalhes da jornada intensa que tem sido a escrita do meu primeiro romance.
O Reality é para você que:
Quer escrever uma ficção e não sabe por onde começar (também estou aprendendo, vamos juntos!).
Já é escritor e quer trocar figurinhas sobre storytelling, enredo, personagens, etc (fiz muitos cursos de escrita e estou animada para compartilhar meus aprendizados por aqui).
Tem curiosidade de saber o que acontece nos bastidores do nascimento até a publicação de um livro.
Gosta de processos criativos.
Quer ser amigo de uma futura escritora Best Seller (depois que eu sair na lista do The New York Times não diga que eu não avisei).
Esse conteúdo faz sentido para você? Então considere o upgrade! A próxima edição sai no dia 11/08. Te vejo lá?

Mais do Substack:
Você, que começou um projeto e a coisa não fluiu. Você, que deu vida a uma ideia só para abandoná-la tempos depois. Pelo amor de Deus: vem cá ler esse texto do Luri Ribeiro.
Quantas vezes você enfiou um sonho no fundo de uma gaveta? A Cynira Altenfelder escreveu essa edição inspiradora e ainda me deixou feliz da vida deixando a indicação do Clay.
A Editora Instante me fez pensar diferente sobre o caso dos livros da Rafa Kalimann.

Até a próxima!
Marinando é o meu olhar traduzido em crônicas leves e descontraídas sobre a beleza do cotidiano.
Quinzenalmente, aos domingos, 9h.
Chegou pela primeira vez? Se inscreva para receber a próxima edição :)










To achando absurdo que já tinha lido e comentei mentalmente. Amei te acompanhar na Flip.
Espero ano que vem estar junto presencialmente na Flip para a distribuição do nosso jornal.
Adorei acompanhar as suas andaças pela Flip. E a ideia do jornal de newsletter ficou sensacional...tem uma versão online? Já quero ler...
Também estou nessa jornada de escrever o meu romance e a sua newsletter me inspirou para escrever uma nova edição dos bastidores dessa jornada literária.
Obrigada por compartilhar a minha news ;)